quinta-feira, 24 de março de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Quanto a um presente,
Eu alto
Ela, às vezes, pequena
Eu magro
Ela magricela também
Eu digo o preto no branco
E ela: depende
Pode, ou não, ser diferente
Ela me entende
Eu digo: somos grandes filósofos
Que morremos no século passado
Somos o cravo e a rosa
Seremos a terra e o arado
Ela diz: hoje sou o que tenho sido
Desde o ano passado
Amanhã me verei diferente
Estando, ou não, ao teu lado
Eu absoluto
Ela relativa
Eu de luto
Ela hiperativa
Eu resoluto
Ela inspirativa
Eu escorbuto
Ela vitamina
Eu absolutamente relativo
Ela relativamente absoluta
Os dois independentemente ligados
De forma incrivelmente realizável
Taciano S. Zimmermann
Ela, às vezes, pequena
Eu magro
Ela magricela também
Eu digo o preto no branco
E ela: depende
Pode, ou não, ser diferente
Ela me entende
Eu digo: somos grandes filósofos
Que morremos no século passado
Somos o cravo e a rosa
Seremos a terra e o arado
Ela diz: hoje sou o que tenho sido
Desde o ano passado
Amanhã me verei diferente
Estando, ou não, ao teu lado
Eu absoluto
Ela relativa
Eu de luto
Ela hiperativa
Eu resoluto
Ela inspirativa
Eu escorbuto
Ela vitamina
Eu absolutamente relativo
Ela relativamente absoluta
Os dois independentemente ligados
De forma incrivelmente realizável
Taciano S. Zimmermann
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Quanto ao calado,
"[...] E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo é que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente a loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos e mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos. [...]"
Fragmento de Talvez o último desejo, de Rachel de Queiroz
Fragmento de Talvez o último desejo, de Rachel de Queiroz
sábado, 4 de setembro de 2010
Quanto a fases,
Lua adversa
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia.
o outro desapareceu...
Cecília Meireles
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia.
o outro desapareceu...
Cecília Meireles
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Quanto à formação literária,
Coletânea de frases soltas roubadas
E avança no livro como quem escapa do mundo por um túnel secreto.
Como quem desaba, não como quem acorda. Para fugir do terrível acaso que nos define.
É por si só mais um passo demonstrativo da vida em direção à profunda indiferença de todas as coisas. Essa algaravia monumental em toda parte, todos falando tudo a todo instante, esse horror coletivo ao silêncio.
Todas as pessoas estão no limite, permanentemente no limite de si mesmas.
No bar, a filosofia e a risada, o brinde da cerveja: somos todos reiteráveis!
Ali, era enfim a sensação de um tempo parado, suspenso.
E uma boa sensação de gravidade lhe tomava os gestos ressaqueados de uma espécie de renascimento. Ou de deslocamento definitivo, permanente, inelutável.
Era preciso que a "verdade" saísse da retórica e se transformasse em inquietação permanente, uma breve utopia, um brilho nos olhos. A ideia do sublime não basta, com ela chegamos só ao simulacro.
Naqueles tempo tolerantes, como quem, prosaicamente, apeas perde um privilégio, o da liberdade. Por uma sucessão inextricável de acasos...
Dá meia-volta, pega outra rua, e outra, mas todas não levam a lugar nenhum.
Relaxe; o tempo está escorrendo.
Ponha o pé num avião, ele concluiu - e desaparecemos.
E desapareceu por onde veio.
Vire-se. É a sua vez de jogar.
E avança no livro como quem escapa do mundo por um túnel secreto.
Como quem desaba, não como quem acorda. Para fugir do terrível acaso que nos define.
É por si só mais um passo demonstrativo da vida em direção à profunda indiferença de todas as coisas. Essa algaravia monumental em toda parte, todos falando tudo a todo instante, esse horror coletivo ao silêncio.
Todas as pessoas estão no limite, permanentemente no limite de si mesmas.
No bar, a filosofia e a risada, o brinde da cerveja: somos todos reiteráveis!
Ali, era enfim a sensação de um tempo parado, suspenso.
E uma boa sensação de gravidade lhe tomava os gestos ressaqueados de uma espécie de renascimento. Ou de deslocamento definitivo, permanente, inelutável.
Era preciso que a "verdade" saísse da retórica e se transformasse em inquietação permanente, uma breve utopia, um brilho nos olhos. A ideia do sublime não basta, com ela chegamos só ao simulacro.
Naqueles tempo tolerantes, como quem, prosaicamente, apeas perde um privilégio, o da liberdade. Por uma sucessão inextricável de acasos...
Dá meia-volta, pega outra rua, e outra, mas todas não levam a lugar nenhum.
Relaxe; o tempo está escorrendo.
Ponha o pé num avião, ele concluiu - e desaparecemos.
E desapareceu por onde veio.
Vire-se. É a sua vez de jogar.
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